Entrevista: Lua Paz fala sobre estreia em Sergipe

A artista revelou inspirações e expectativas para a apresentação que acontece nesta quinta-feira, 28


Última atualização em 28/09/2023 por Ítalo Duarte

Por Fernanda Santiago, SE79

Nesta quinta-feira, 28, às 19h, o auditório do Museu da Gente Sergipana será palco do espetáculo “Lunação”, apresentado pela artista Lua Paz. A apresentação faz parte do projeto Quintas da Gente e trará uma experiência musical e cênica que conta com influência da música regional sergipana e inspirações no neo-soul e no movimento hip-hop.

A performance será acompanhada pelo DJ e produtor musical Stefan Silverman e terá a participação especial de Letícia Paz e D’aguada. O espetáculo parte do EP de estreia da artista, intitulado “LUA” e foi apresentado pela primeira vez no Festival de Inverno de Garanhuns.

A artista, que é natural do município de Lagarto, concedeu uma entrevista para o SE79 e falou mais sobre o seu projeto e expectativas para a sua apresentação em Aracaju.

O espetáculo Lunação foi apresentado primeiro no Festival de Inverno de Garanhuns e agora será trazido para Sergipe. Qual a sensação de se apresentar na sua terra natal?

Me apresentar em Sergipe é sempre muito bom. Estamos desde o primeiro lançamento trabalhando a expansão da marca Lua Paz para outros estados, mas eu trago a bagagem do interior sergipano e é perceptível como aqui o público se reconhece nas narrativas que a minha música provoca. Essa identificação possibilita propor caminhos para o público e cena musical.

Seu espetáculo é dividido em cinco atos, simbolizados pela fava, uma mala, uma taça com uma vela e uma borboleta de brinquedo. De onde vieram estas inspirações?

O conceito do EP LUA nasceu de muita pesquisa. Os elementos narrativos do álbum vieram com a intenção de contar a história fazendo a ponte entre as minhas vivências pessoais e a influência de cada fase lunar. A direção de arte foi assinada por Letícia Paz. A fava representa a lua nova, uma semente branca pode falar de possibilidades, do nascimento, assim como tem sido o meu momento na música. A mala pertenceu o meu avô e representa a bagagem ancestral que carrego na minha trajetória e êxodo rural; ela está ligada a fase da lua crescente onde movimentamos os processos. A taça com a vela vermelha chega na lua cheia, momento mais intenso da fase lunar onde os processos ficam mais expostos inclusive os emocionais. A borboleta é mais uma representação do ciclo assim como a fava, na lua minguante refletimos o ciclo e propomos a possibilidade de transformação e renovação.  Juntas são a totalidade do ciclo, dão vida a LUNAÇÃO.

De forma geral, como as suas experiências de vida impactaram na sua produção? Suas letras se inspiram na sua vida e no que você já viveu?

A música é um lugar seguro de expressão para mim, acredito que as experiências impactam diretamente. Quando escrevo falo do que vivi, presenciei ou o que quero viver… Meu entorno e minha comunidade, anseios, reflexões, minha geração e o meu contato com a espiritualidade sempre estão presentes no processo de criação e dão força a uma interpretação mais presente na performance.

O espetáculo terá as participações especiais de Letícia Paz e D’aguada. Como se deu a construção destas parcerias?

Ambos são artistas de forte conexão com as vivências interioranas. Letícia Paz é uma artista imensa e muito versátil como poeta e cantora de Jazz/tap, além de ser minha irmã de sangue e maior apoiadora do meu movimento. D’aguada é múltiplo e bem expressivo, nossos trabalhos conversam bastante em estética e narrativa.

Estão comigo há muito tempo dividindo palcos e trocando nessas construções. Então é meio que necessário que eles façam parte da materialização de um momento tão importante pra música experimental e contemporânea no estado. Eles complementam os atos do espetáculo fazendo tudo se tornar ainda maior e mágico.

Você vem fazendo um projeto muito relevante ao ponto de vista cultural, e atualmente existem alguns editais e projetos de incentivo à cultura. Como você enxerga a importância destas formas de incentivo?

O lançamento do álbum EP LUA foi premiado pela Lei Aldir Blanc. As políticas de incentivo à cultura são indispensáveis para que possamos construir uma sociedade mais justa e saudável. As leis e editais possibilitam que artistas independentes se coloquem no mercado com um pouco mais de estrutura e qualidade. Dessa forma, seria interessante que tivéssemos mais suporte, organização e capacitação dos órgãos responsáveis por gerir a aplicação desses investimentos e demais políticas culturais, a fim de ampliar o alcance dos incentivos para áreas emergentes, artistas interioranos e fazedores de cultura popular.

Espetáculo Lunação

Os ingressos estão à venda pelo Sympla. Links de venda também estão disponíveis na Bio de @museudagentesergipana_oficial, @institutobanes e @luapazmusic.

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