Cirurgiã plástica acusada de planejar assassinato do marido em Aracaju afirma em carta ter sido vítima de violência física e sexual


Última atualização em 21/11/2024 por Diego Mota

Por SE79,

A cirurgiã plástica Daniele Barreto Oliveira, de 46 anos, presa sob a acusação de encomendar o assassinato do marido, o advogado criminalista José Lael de Souza Rodrigues Júnior, de 42 anos, apresentou novas alegações e provas para sua defesa. Em cartas escritas à mão dentro da cadeia, Daniele detalha anos de abusos sexuais, físicos, patrimoniais e psicológicos que teria sofrido durante o casamento.

José Lael foi morto em uma emboscada a tiros no dia 13 de junho, em Aracaju. A delegada Juliana Rangel Guedes Alcoforado conduz a investigação e sustenta que Daniele foi a mandante do crime. No entanto, a defesa da médica contesta a acusação, alegando que ela é inocente e apontando as violências que teria sofrido como contexto para os acontecimentos.

Relatos de tortura e monitoramento

Em uma das cartas, com 12 páginas, Daniele descreve episódios de agressões constantes, que incluíam tapas, socos e puxões de cabelo. Ela afirma que José Lael tinha o cuidado de evitar marcas visíveis, amarrando-a para arrancar tufos de cabelo. Segundo a médica, o advogado chegou a instalar câmeras escondidas no quarto para monitorá-la e gravar atos de violência sexual.

Daniele também acusa o marido de envolvimento com crimes graves, como tráfico de armas e homicídios. Um dos trechos da carta descreve a rotina de terror: “Acabei de apanhar dele. Ele está me ameaçando. Meu rosto está vermelho”, escreveu, em um relato acompanhado por provas em vídeo.

Provas chocantes

A defesa de Daniele entregou à Justiça dois vídeos que reforçam as denúncias. Em um deles, a médica aparece dopada e inconsciente enquanto José Lael a estupra e ejacula em seu rosto. Em outro, ela faz um relato direto sobre uma agressão recente, com sinais visíveis de violência.

Os vídeos e as cartas serão anexados ao processo nesta semana, de acordo com o advogado Claudio Dalledone, que defende Daniele. Ele declarou:

— Ela não vai confessar simplesmente porque é inocente.

O caso segue em investigação

Enquanto a Justiça avalia as provas apresentadas, o caso levanta debates sobre violência doméstica, abuso de poder e o limite entre defesa e vingança. Daniele permanece presa e afirma que é vítima de uma trama em que tenta agora dar voz à sua história.

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