Última atualização em 24/01/2024 por Ítalo Duarte
Por Fernanda Santiago,
Ausência de equipamentos de proteção individual, falta de espaço para enterrar os mortos e desvio de função são algumas das denúncias feitas por um ex-coveiro que trabalhava no Cemitério Senhor do Bonfim, localizado no município de Lagarto. O ex-coveiro, Victor Santos, de 20 anos, que trabalhou durante três meses no cemitério, concedeu uma entrevista exclusiva ao portal SE79, onde apontou diversas irregularidades nas condições de trabalho.
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Segundo ele, nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI) foi fornecido, sendo preciso trabalhar apenas com uma bota emprestada e uma luva deteriorada que havia no local. “A única luva que tinha estava picotada, não dava para ser usada, mas eu tive que usar essa luva esses dias para catar uns restos mortais de uma gaveta, para colocar em outra gaveta junto com outro caixão. Eu não tinha material nenhum de proteção”, relata o ex-coveiro. Em seu relato, Victor diz ainda que chegou a sepultar o corpo de uma vítima de Covid-19 sem os equipamentos adequados.
Segundo o trabalhador, ele cobrou o fornecimento dos materiais de proteção diversas vezes, o que, ao seu ponto de vista, pode ter sido um dos motivos da sua demissão. Nesta segunda-feira, 22, o trabalhador foi demitido sem qualquer tipo de aviso prévio, “não me ligaram antes, não me informaram nada antes, eu cheguei lá, fui assinar uma folha de ponto e acabei sendo demitido, foi por quê? Foi por que eu estava pedindo material? Era para pedir a quem? Tirar do meu bolso?”, indaga Victor.
Além disso, dentre as denúncias feitas pelo jovem, está o fato da sua carteira de trabalho ter sido assinada como “Atendente de lojas e mercados”, mas a função exercida ser a de coveiro. No documento, ao qual o portal SE79 teve acesso, é possível constatar que esta foi a ocupação utilizada pela empresa terceirizada que fez a contratação.
O ex-coveiro alega ainda que, além dos demais problemas, também não há espaço para enterrar os mortos, “realmente não tem espaço, o espaço que você acha é raso para os sete palmos que tem que ter para uma cova, [o espaço que tem] é entre uma gaveta e outra gaveta, isso quando entre as gavetas tem espaço para cavar”, contou Victor.
Crise nos cemitérios
A situação dos cemitérios municipais de Lagarto, geridos pela Prefeitura, é de irregularidade, sem qualquer tipo de fiscalização. Em outra localidade do município de Lagarto, no povoado Quirino, a realidade também assusta, isso porque, de acordo com denúncias dos moradores, o cemitério local se encontra sem coveiro.
Em vídeo compartilhado através de um aplicativo de mensagens e gravado por um morador, é possível ver o momento em que populares cavaram uma sepultura para enterrar um amigo. No vídeo, homens descalços cavam a cova, por falta de um coveiro. O morador que registrou a cena chega a citar o sofrimento e constrangimento que a família passa diante de tal situação.
A equipe do SE79 tentou contato com a Prefeitura de Lagarto, mas não obteve retorno, e se colocou à disposição para esclarecimentos.