O advogado de defesa da médica Daniele Barreto, Dr. Fábio Trindade, participou do Jornal da 102 com Aclecio Prata e detalhou o histórico de saúde mental da cliente, apontando episódios de surto e tentativas anteriores de tirar a própria vida enquanto estava sob cuidados psiquiátricos.
De acordo com o relato, Daniele apresentava um quadro de instabilidade emocional, marcado por alucinações auditivas, automutilações e quedas frequentes que resultavam em ferimentos. Em uma dessas crises, tentou contra a própria vida utilizando um cinto, o que levou à sua internação. Os médicos que a acompanhavam avaliavam como real e iminente o risco de suicídio, reforçando a necessidade de cuidados psiquiátricos contínuos.
O advogado também destacou que Daniele havia perdido a guarda do filho e, em audiência de custódia, chegou a apresentar alucinações, acreditando que a criança estava presente no local. Durante os procedimentos judiciais, ela afirmou que tentaria contra a própria vida caso fosse levada novamente ao presídio, o que acabou ocorrendo nesta terça-feira (9), quando foi encontrada morta em sua cela cerca de uma hora após retornar à unidade. Informações preliminares apontam que ela teria utilizado um lençol.
Fábio Trindade relatou ainda que recebeu a ligação da diretoria do presídio informando sobre a morte da médica e coube a ele comunicar a notícia aos familiares. As equipes médicas do presídio e o SAMU realizaram tentativas de reanimação, mas sem sucesso.
O último contato entre advogado e cliente ocorreu antes do retorno de Daniele ao sistema prisional, quando ele assegurou que trabalharia para manter sua internação psiquiátrica. A decisão que determinou a volta ao presídio foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por três votos a dois. Segundo a defesa, o relatório médico que recomendava a continuidade do tratamento psiquiátrico foi desconsiderado, o que reforça a crítica à condução do caso.



