O economista Neidazio Rabelo participou do Jornal da 102 nesta quarta-feira (30) para comentar os efeitos que uma possível tarifação por parte dos Estados Unidos pode causar na economia sergipana. O alerta foi feito após a Agência Desenvolve-se divulgar um levantamento apontando que as exportações de Sergipe para os EUA saltaram de 3,72% em 2023 para 31,35% no primeiro semestre de 2025, totalizando cerca de R$ 303,5 milhões em movimentação econômica nos seis primeiros meses deste ano.
Com esse crescimento, Sergipe passou a ocupar a terceira posição nacional no volume proporcional de exportações destinadas ao mercado norte-americano, segundo dados do DIEESE, ficando atrás apenas do Espírito Santo e do Ceará.
A preocupação gira em torno da possibilidade de o governo norte-americano impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, o que pode impactar diretamente os principais itens da pauta exportadora de Sergipe: suco de laranja congelado, óleos essenciais cítricos e óleo bruto de petróleo — juntos, responsáveis por quase 90% das exportações do estado para os Estados Unidos. A perda estimada pode chegar a R$ 550 milhões, de acordo com a Agência Desenvolve-se.
Neidazio avaliou que o Brasil tem mais a perder do que a ganhar caso opte por suspender ou tensionar as relações comerciais com os EUA. Ele pontuou que os norte-americanos têm o direito de aplicar tarifas, assim como o Brasil também faz com diversos produtos importados. Segundo o economista, a curto prazo, os preços poderiam até cair, mas rapidamente a economia nacional sofreria consequências graves, como queda na produção, perda de empregos e redução da oferta de produtos no mercado interno.
O economista defendeu a manutenção do diálogo e o equilíbrio nas relações comerciais internacionais, reforçando a importância de preservar os mercados já consolidados e evitar impactos que recaiam sobre a população mais vulnerável.




